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A arte da síntese: Korg

23/01/2019

Sintetizadores Korg

"Arte só é arte quando apreciada por alguém" - Isao Tomita

Por trás de uma grande empresa sempre existe uma grande história e a Korg certamente não é exceção. Todavia, paradoxalmente com esta história, o prologue vem no final. Ao menos no final da história até agora, mas isto é divagação.

Diferente de outras marcas do mundo dos synths, a Korg é uma empresa com fortes laços fora do universo da síntese. Se você entrar em uma loja de guitarras, por exemplo, os funcionários provavelmente irão falar sobre a Korg como um respeitado fabricante de afinadores eletrônicos e processadores de efeito de boutique. A Korg foi realmente responsável pelo primeiro afinador de mão do mundo em 1975, o WT-10.

Mas a história começa bem antes disso. Em 1962, quando o lendário fundador da Korg Tsutomo Katoh e seu pequeno time de funcionários começaram a trabalhar em um dispositivo eletrônico de acompanhamento de percussão para concorrer com produtos como a popular máquina de ritmo Sideman da Wurlitzer. Um ano depois, a DA20 DoncaMatic foi lançada sob a marca Keio Electronic.

Guitarras Fender Squier Bullet

Keio Electronic DA20 DoncaMatic

No restante da década, os lançamentos de produtos da Keio consistiram principalmente de drum machines como a DoncaMatic ou da nova série Mini Pops, embora Katoh e companhia não soubessem naquele momento sobre as estranhas e maravilhosas coisas que estavam acontecendo nos Estados Unidos através de um tal de Robert Arthur Moog.

Em 1970, a Keio mudou sua atenção para instrumentos de teclado, produzindo diversos protótipos de órgãos eletrônicos, o que ocasionou uma mudança no nome da empresa em 1972, quando foi lançado o primeiro produto sob o nome Korg (derivado de Keio e Organ).

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MiniKorg 700

O primeiro sintetizador monofônico da Korg, o MiniKorg 700, foi lançado em 1973. Um produto analógico modesto e ainda assim muito capaz, o MiniKorg prenunciou o que seria uma década notavelmente prolifera´para a Korg, posicionando a empresa lado a lado com seus contemporâneos japoneses e norte americanos.

Dos muitos sintetizadores que seguiram o MiniKorg 700, o PS-3300 (assim como seu companheiro menor, o PS-3100) tiveram destaque no mercado mundial. Lançado em 1977, o PS-3300 apresentava surpreendentes 48 notas de polifonia com 3 osciladores por nota (144 VCOs no total!). Devido ao seu custo proibitivo, estimasse que somente 20 a 50 unidades foram fabricadas até que a produção cessou em 1981. O PS-3300 é considerado um dos mais relevantes sintetizadores polifônicos já construídos e Richard D James (Aphex Twin) recentemente vendeu uma unidade de sua coleção em um leilão online pela quantia de $18.855 GBP (aproximadamente R$ 92.000).

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Korg PS-3300

Como se o PS-3300 não tivesse convencido o planeta inteiro sobre o potencial da Korg como super força em síntese, a família MS de 1978 solidificou sua reputação. Possuindo mais que uma lembrança passageira em relação ao seu predecessor polifônico, a arquitetura semi-modular similar do MS-20 possibilitou um enorme potencial de lapidação sonora em um produto pequeno e portátil por um preço amplamente acessível.

Dois osciladores são seguidos por um par de filtros em série; um filtro high pass 4-pole em um low pass 2-pole. Enquanto o design de dois filtros contribuiu grandemente para a sonoridade do MS-20, o filtro low pass é muitas vezes considerado seu principal destaque, graças as características reconhecidamente agressivas de sua ressonância e de seu comportamento de auto-oscilação.

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Anúncio original do sequencer SQ-10, do MS-10 e do lendário MS-20.

Localizada abaixo do extenso painel de encaminhamento de sinal do MS-20 está uma seção de entrada de áudio, que além de permitir processamento de sinais externos, oferecia também conversão de frequência em CV, o que significa que uma fonte de áudio poderia agir como controle para o sintetizador (com resultados variáveis). Se esta funcionalidade impressiona as pessoas até hoje, imagine na época de seu surgimento há 40 anos!

Ao contrário de sintetizadores desta época, o MS-20 em toda sua glória analógica é ainda mais acessível atualmente, graças ao seu relançamento em versão mini teclas de 2013, o MS-20 mini, uma recriação do original em 86% de seu tamanho. Se isto ainda ocupa espaço demais em seu ambiente de produção, a emulação em software oficial da Korg que se tornou um clássico em seu próprio território também está disponível individualmente ou como parte da recentemente revisada Korg Collection em forma de conjunto de aplicativos em software para computadores e aplicativos para o iPad.

1981 provou ser outro ano monumental para a Korg, com o lançamento dos sintetizadores analógicos Mono/Poly e PolySix. O primeiro apresentava 4 osciladores que podiam ser tocados polifonicamente (me atrevo a dizer, parafonicamente), ou empilhados em mono para sons de lead e baixo monstruosos.

O PolySix inicialmente chamou a atenção por sua acessibilidade como um sintetizador polifônico programável com memória de presets, todavia tornou-se rapidamente um favorito no mundo todo por seus sons de baixo e pads espessos e quentes. Esta última variedade de sons tornou-se famosa graças a inclusão de um efeito de ensemble chorus que podia transformar sons simples de cordas em texturas belas e exuberantes, cheias de personalidade. Os modelos Mono/Poly e PolySix estão novamente disponíveis em software, como parte da Korg Collection mencionada anteriormente.

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O PolySix. Anúncio original fornecido pela retrosynthads.blogspot.com

Os anos 80 foram tempos revolucionários para os sintetizadores e muitas empresas estavam experimentando com novas tecnologias digitais de ponta. A Korg estava inquestionavelmente procurando pelo futuro com sintetizadores como o DW6000 de 1985 que oferecia síntese subtrativa em estilo analógico, somente com osciladores digitais oferecendo formas de onda exclusivas como fonte de som. O DW6000, juntamente com seu irmão maior DW8000 e produtos híbridos anteriores como o Poly-800 fizeram sucesso, mas nada se igualou a popularidade do Yamaha DX7 lançado em 1983.

A síntese FM implementada no DX7 introduziu o mundo a sons que não podiam ser obtidos através de síntese analógica, em particular sons limpos e brilhantes como o tradicional piano elétrico do DX7, sua marca registrada. Seu preço acessível fez com que estes tipos de som começassem a aparecer em MUITOS álbuns (a dificuldade de programar a síntese FM e a limitada seleção de presets de fábrica do DX7 nos ajuda a reconhecer estes sons). Somente algo extraordinário conseguiria desafiar o reinado do DX7...

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Korg M1

Em 1988 a Korg lançou o M1. Equipado com 4 MB de amostras em 16 bit e suportando multi-timbralidade de 16 partes para divisões e camadas de teclado elaboradas, o M1 rapidamente superou o DX7 e tornou-se o instrumento de teclas padrão da indústria para trabalho em estúdio e ao vivo durante os anos 90.

O preset número 00 "Universe" era um hipnotizante e complexo patch que não somente servia de introdução ao M1, mas também uma ótima fonte de inspiração. O som de piano acústico no slot de memória número 01 não somente estava à frente da concorrência, mas aparecia de forma maravilhosa no meio de shows ao vivo e se encaixava muito bem em contextos contemporâneos de gravação, particularmente no estilo house music. E, claro, os sons de órgão tornaram-se uma parte vital da dance music dos anos 90.

Além dos muitos presets de instrumentos clássicos encontrados na biblioteca de fábrica, o M1 possuía 2 módulos de expansão e muitos cartões PCM ROM de expansão foram lançados durante o período de produção do instrumento, oferecendo um arsenal praticamente infinito de munição sonora. A simulação em software do M1 (também parte da Korg Collection) inclui todos os 19 cartões de expansão, assim como sons dos instrumentos da série T (um sucessor do M1) para um total de 33.000 presets!

Com mais de 250.000 unidades vendidas, o M1 era difícil de ser superado. Porém, o Triton lançado em 1999 conseguiu superar o M1 e definiu um novo padrão em tecnologia de teclados por mais uma década.

Na virada do século, a Korg re-visitou a clássica síntese subtrativa com o MS2000, desta vez empregando sua inovadora tecnologia de modelagem analógica virtual. O MS2000 tornou-se um clássico cultuado graças ao seu som impressionantemente "analógico" e seu extenso arsenal de controles intuitivos.

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Korg microKORG

Em 2004, um compacto e modesto sintetizador chegou ao mercado, o microKORG. Internamente, este modelo compartilhava muito de seu DNA com o MS2000, mas externamente era algo completamente diferente. Além das teclas em miniatura e de seus painéis laterais de madeira, o microKORG apresentava um grande knob central usado para escolher entre os 128 presets de fábrica em 8 categorias baseadas em gênero musical como "Retro" e "Electronica". Esta associação provou-se tremendamente popular entre os novos músicos, pois simplificava o processo de encontrar o som apropriado. Além disso tudo, o som podia ser facilmente modificado com os múltiplos knobs de controle e a mod wheel criativamente mapeada. Edições mais profundas também eram possíveis para o sintesista experiente. Sendo este o caso, o microKORG provou-se atraente para músicos de todos os tipos, incluindo guitarristas e baixistas que procuravam expandir sua paleta sonora.

Certamente, a característica mais icônica do microKORG era seu microfone gooseneck que alimentava o vocoder integrado, trazendo à atenção do público comum o que costumava ser um nicho previamente esotérico em técnicas de síntese.

O microKORG permanece popular até os dias de hoje e sua produção continua a todo vapor. Tendo atingido a marca de 100.000 unidades quase uma década atrás, sua estimativa pode ser tão boa quanto a minha sobre quantas unidades foram vendidas até agora. Provavelmente, o microKORG é o sintetizador mais popular da história.

Por um tempo, parecia que a Korg havia virado completamente as costas para a síntese analógica, mas o ano de 2010 presenciou o lançamento do Monotron, um pequeno sintetizador totalmente analógico alimentado por pilhas que possuía um teclado tipo ribbon e falante integrado, por menos de $100.

O que parecia ser somente um dispositivo simples tornou-se um sintetizador altamente capacitado, graças à inclusão do clássico filtro low pass do MS-20. Enquanto suas aplicações musicais eram desafiadas pelo não usual e minúsculo teclado tipo ribbon, o Monotron lembrou as pessoas do prazer encontrado na síntese analógica tradicional e a desordem sonora nunca antes foi tão divertida ou tão acessível.

Logo em seguida, a Korg construiu sobre o sucesso do Monotron o Monotribe, que unia capacidades de síntese expandidas com uma bateria eletrônica analógica e sequenciador, tudo em um sólido chassi de metal. Algumas variantes do Monotron também foram lançadas, como o Monotron Duo com dois osciladores.

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Korg Volca Beats , Volca Bass e Volca Keys

Era óbvio que o mundo estava faminto por novas armas analógicas acessíveis e a Korg sem dúvida estava preparada. Em 2013, a Korg lançava a linha Volca, consistindo inicialmente de três unidades: Volca Bass, Volca Keys e Volca Beats. Enquanto os Monotrons ficavam entre brinquedos e instrumentos sérios, os Volcas estavam firmemente na segunda hipótese. Desconsiderando sua estatura diminuta, os Volcas apresentaram características e controles profissionais, incluindo um compreensivo sequenciador com automação (técnica chamada Motion Control), além de soarem de forma surpreendente.

O Volca Bass é um gigante dos graves com 3 osciladores que toma inspiração do clássico 303 da Roland, mas capaz de muito mais além de ácidas linhas de baixo.

O Volca keys possui uma estrutura similar de 3 osciladores, desta vez com foco sobre sonoridades polifônicas. Todavia, os osciladores também podem ser empilhados em mono para sonoridades como as do clássico Mono/Poly de 1981.

O Volca Beats tem como inspiração as clássicas baterias eletrônicas e oferece uma combinação de geração de som analógico e amostras PCM.

A habilidade de sincronizar unidades Volca através de acessíveis cabos 1/4" cria um envolvente ecossistema. Os Volcas também são uma ótima introdução aos sintetizadores, ou uma opção altamente desejável para aqueles que procuram dar um passo além do universo da síntese em software. Seu primeiro Volca provavelmente não será o último e hoje a série possui 10 modelos, incluindo um conveniente mixer de áudio com distribuição de energia para as outras unidades.

Em 2015, a atividade em sintetizadores estava borbulhando no planeta e não havia limitações de opções em sintetizadores monofônicos acessíveis ou polifônicos de alta qualidade. A Moog continuava a encontrar sucesso com sintetizadores monofônicos de ponta, mas o mercado de sintetizadores polifônicos acessíveis continuava em grande parte escasso.

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Korg Minilogue

Imediatamente antes do evento Winter NAMM Show de 2016, a Korg anunciava o Minilogue, que re-calibraria completamente as expectativas das pessoas em relação às capacidades de um sintetizador analógico polifônico acessível. Com 4 vozes, 2 osciladores por voz, memória de patches, sequenciador polifônico e efeito de delay integrado, o Minilogue recebeu muita atenção (e muitos prêmios). Polifonicamente soava fantástico, mas esta não era tudo.

8 teclas no painel, chamadas "Voice Modes" re-configuravam a arquitetura de vozes para diferentes aplicações. Por exemplo, o modo "Unison" empilhava todas as 4 vozes (8 osciladores) em mono e permitia fácil desafinação através de um knob para sons de solo e baixo chocantes. O modo "Mono" restringia o sintetizador a uma voz mono, mas permitia a introdução gradual de duas vozes adicionais como sub-osciladores sobre duas oitavas para linhas de solo clássicas.

Então, naturalmente, o Minilogue tornou-se o sintetizador analógico acessível preferido. Para iniciantes, poder tocar mais de uma nota de cada vez e armazenar presets mudava todo o jogo. Músicos mais experientes notaram que o Minilogue era capaz de fazer coisas que seus sintetizadores vintage mais caros não podiam e muitas vezes usaram o Minilogue no lugar destes para performances ao vivo e projetos de gravação.

No ano seguinte, a Korg lançou um novo sintetizador analógico, o Monologue. A reação inicial óbvia foi considerar esta uma versão monofônica do Minilogue. Todavia, de fato o Monologue era um sintetizador monofônico totalmente re-desenhado com seu próprio som.

Primeiramente, o novo filtro analógico 2-pole soava muito agressivo, assim como o circuito de drive integrado. Um novo LFO de duas velocidades permitia modulação em frequência de áudio de alta velocidade. E, seguindo a direção de um fã de longa data da Korg, Aphex Twin, o Monologue apresentava micro-afinação altamente personalizável, incluindo a habilidade de criar suas próprias escalas customizadas, funcionalidades incomuns em qualquer nível de preço, ainda mais para equipamentos acessíveis.

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Korg Prologue 8 e Prologue 16

No ano seguinte a Korg continuou seu padrão de lançamentos anuais em sintetizadores analógicos, desta vez direcionando seu potencial para uma parte diferente do mercado. O Prologue, introduzido em 2018, era direcionado diretamente ao músico profissional, tomando os conceitos introduzidos no Minilogue e levando-os para um nível totalmente novo. Dois modelos foram anunciados: O Prologue 8 de 49 teclas e o Prologue 16 de 61 teclas.

Curiosamente, este foi o primeiro sintetizador analógico polifônico de ponta da Korg em décadas. Os dois modelos são construídos na fábrica da Korg no Japão, com atenção incrivelmente alta aos detalhes e a arquitetura analógica baseada em componentes, idealizada para um som analógico verdadeiramente poderoso. Mas há muito mais a oferecer.

Os dois primeiros osciladores (por voz) são VCOs similares aos usados no Minilogue. O terceiro, todavia, é algo inteiramente novo chamado "Multi-Engine". Este oscilador digital possui três modos de operação, incluindo Noise e VPM (Variable Phase Modulation). VPM é capaz de sons FM surpreendentemente complexos através de 16 formas de onda com parâmetros dedicados, incluindo profundidade de modulação e seu próprio Envelope.

O terceiro modo de operação de Multi-Engine é chamado "User", que permite que osciladores personalizados sejam carregados através de um programa editor/librarian. Isto é possível graças a um SDK gratuito de código, para que usuários experientes nesta tecnologia criem seus próprios osciladores e meros mortais aguardem para que outros façam isto por eles.

O que a Korg irá trazer para 2019? Com o evento Winter NAMM de 2019, temos a certeza que haverá muito mais a ser discutido sobre sintetizadores Korg em breve.

Para conhecer toda linha de sintetizadores KORG acesse: www.korg.com.br/linha/sintetizadores

Fonte:
noisegate.com.au
noisegate.com.au/art-of-synthesis-korg/


Tradução/adaptação: Pride Music

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